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A história da Reencarnação

A HISTÓRIA DA REENCARNAÇÃO

O intuito desta pesquisa, é apenas histórico, ou seja, a fim de apontar o que conhecemos na trajetória destes apontamentos. Vamos fazer uma breve reflexão.

Da Antiguidade, passando pelo Cristianismo primitivo e Constantinopla em 553, até Allan Kardec

Introdução — uma pergunta que atravessa os séculos
A pergunta sobre o destino da alma é provavelmente uma das mais antigas questões da humanidade:
De onde viemos? Por que estamos aqui? Para onde vamos depois da morte?
Em diferentes épocas e culturas, surgiram respostas distintas. Algumas tradições afirmaram uma única existência terrena seguida da vida espiritual; outras falaram em retorno da alma à existência corporal; outras ainda desenvolveram conceitos de purificação, transmigração ou sucessivas experiências da consciência.
A ideia de que a existência humana não se limita a uma única passagem pela matéria aparece muito antes do Espiritismo. Encontramos concepções de transmigração da alma na tradição grega associada a Pitágoras e desenvolvimentos filosóficos em Platão. No cristianismo antigo, a discussão assumiu outra forma, particularmente nas reflexões de Orígenes sobre a preexistência das almas.
Séculos depois, no século VI, as controvérsias origenistas chegaram ao ambiente imperial de Justiniano e às disputas que envolveram Constantinopla.
É nesse ponto que nasce uma das afirmações mais repetidas sobre a história da reencarnação: “A Igreja retirou a reencarnação do cristianismo no Concílio de Constantinopla de 553. ”
A realidade histórica, porém, é mais complexa.
O que os documentos permitem afirmar com segurança é que houve condenação da preexistência das almas e de um sistema de doutrinas associado ao origenismo. Já a afirmação de que o concílio simplesmente “retirou a reencarnação da Bíblia” não corresponde ao que os documentos históricos demonstram.

1. Antes do Cristianismo: a alma e seus retornos
A ideia de que a alma pode passar por diferentes existências não nasceu com o cristianismo. Entre os gregos antigos, encontramos a chamada metempsicose, ou transmigração da alma.
Pitágoras
As fontes antigas associam Pitágoras à crença na imortalidade da alma e na sua passagem para diferentes corpos.
A Stanford Encyclopedia of Philosophy observa que as evidências antigas apresentam Pitágoras como alguém associado à metempsicose, inclusive à possibilidade de almas humanas nascerem novamente em outros animais.
Isso é importante porque demonstra que a ideia de uma alma sobrevivendo à morte e retornando à experiência corporal é muito anterior ao cristianismo.
Mas há uma ressalva: a metempsicose pitagórica não é automaticamente igual à reencarnação espírita.
O conceito antigo possuía características próprias, inclusive a possibilidade de transmigração para animais, algo que não corresponde à doutrina espírita kardecista.

2. Platão e a alma que retorna à existência
Platão também tratou da imortalidade da alma e da transmigração.
Em obras como Fédon, República e Fedro, aparecem narrativas filosóficas nas quais a alma possui existência além da vida corporal e pode passar por diferentes destinos.
A influência do pitagorismo sobre Platão é discutida pelos estudiosos. Há evidências de influência, mas a historiografia recomenda evitar a ideia simplista de que toda a doutrina platônica da alma veio diretamente de Pitágoras. Portanto, já encontramos na filosofia grega uma pergunta semelhante à que posteriormente seria formulada pelo Espiritismo: a vida corporal seria apenas uma etapa da existência da alma?

3. E os essênios?
Os essênios, grupo judaico do período do Segundo Templo, também desenvolveram concepções particulares sobre a alma.
Flávio Josefo, historiador judeu do século I, descreveu os essênios afirmando que eles consideravam os corpos corruptíveis e as almas imortais. Segundo seu relato, após a libertação do corpo, as almas boas seriam conduzidas a uma região além do oceano, enquanto as más sofreriam punição. Mas aqui também precisamos ter cuidado. Josefo não descreve os essênios como praticantes inequívocos de reencarnação.
O texto apresenta uma doutrina de imortalidade e destino pós-morte, mas não demonstra, por si só, um sistema de sucessivas encarnações humanas. Isso é importante porque muitas reconstruções populares da história da reencarnação colocam os essênios diretamente como reencarnacionistas sem que as fontes permitam uma conclusão tão forte.

4. O Cristianismo primitivo
Com o surgimento do cristianismo, a questão da alma passou a ser discutida dentro de uma nova estrutura teológica. O cristianismo passou a enfatizar especialmente: morte → ressurreição → julgamento → vida futura.
Isso não significa que todos os pensadores cristãos tenham desenvolvido exatamente a mesma filosofia sobre a alma.
Durante os primeiros séculos existiram debates intensos sobre: natureza da alma; origem da alma; ressurreição; julgamento; criação; eternidade; destino final; natureza de Cristo; relação entre corpo e espírito.
É nesse ambiente que aparece uma das figuras mais importantes para a história da questão:

ORÍGENES DE ALEXANDRIA

5. Orígenes: o grande ponto de inflexão
Orígenes viveu aproximadamente entre 185 e 253/254 d.C. Foi um dos mais importantes intelectuais do cristianismo antigo. Seu pensamento foi profundamente influenciado pela filosofia grega, especialmente pelo ambiente intelectual platônico de Alexandria.
Entre suas ideias encontramos uma concepção extremamente complexa sobre a existência das criaturas racionais, a liberdade, a queda, a encarnação e a restauração final. É aqui que surge uma distinção fundamental:
Preexistência não significa necessariamente reencarnação.
A preexistência afirma que a alma ou criatura racional possui existência anterior ao nascimento corporal. A reencarnação, no sentido espírita, afirma que o Espírito retorna repetidamente à experiência corporal através de novos corpos. Essas ideias podem ser relacionadas, mas não são sinônimas.
Dizer simplesmente: “Orígenes acreditava na reencarnação”, é historicamente mais forte do que aquilo que as fontes permitem afirmar com segurança. É mais preciso dizer: Orígenes desenvolveu uma teologia da preexistência das criaturas racionais e da restauração final, posteriormente associada às controvérsias origenistas.

6. A apocatástase
Outro conceito fundamental é a apocatástase, palavra grega relacionada à restauração. Orígenes desenvolveu uma concepção segundo a qual a criação poderia caminhar para uma restauração final em Deus.
Posteriormente, algumas formas de origenismo desenvolveram sistemas cosmológicos nos quais as criaturas racionais teriam existido originalmente em uma condição espiritual, afastando-se posteriormente de Deus e assumindo diferentes condições de existência. É justamente esse sistema que aparece de maneira muito clara nos anátemas do século VI. O primeiro dos chamados quinze anátemas contra Orígenes condena a ideia da preexistência das almas juntamente com a restauração que dela decorreria.

7. A questão bíblica: Elias e João Batista
Existe uma passagem bíblica que se tornou central nas discussões sobre reencarnação: Mateus 11:14.
Jesus fala de João Batista em relação a Elias: “Ele é Elias, que havia de vir. ”
E em Mateus 17, depois da transfiguração, os discípulos perguntam sobre Elias. Jesus responde que Elias já veio, e o evangelista conclui: “Então os discípulos entenderam que lhes falava de João Batista. ”
Para uma interpretação reencarnacionista, essa passagem pode ser lida como um forte indício de retorno de uma mesma individualidade espiritual. Entretanto, a interpretação cristã tradicional normalmente entende a relação entre Elias e João Batista de outra maneira: João teria vindo “no espírito e poder de Elias”, isto é, cumprindo sua missão profética.
Portanto: o texto bíblico existe; a interpretação reencarnacionista é uma interpretação possível dentro de determinada tradição, mas não é a interpretação cristã tradicional dominante.

8. João 9: a pergunta que causa inquietação
Outro texto interessante encontra-se em João 9. Ao encontrarem um homem cego de nascença, os discípulos perguntam a Jesus: “Quem pecou, este homem ou seus pais, para que nascesse cego? ”. A própria pergunta chama atenção. Por que os discípulos perguntariam se o homem, que já nascera cego, havia pecado?
Jesus responde que nem ele nem seus pais haviam pecado, mas que a situação serviria à manifestação das obras de Deus. A interpretação tradicional não considera essa passagem uma prova da reencarnação.
Porém, do ponto de vista histórico, ela demonstra que a pergunta sobre uma possível relação entre condição anterior e condição presente fazia parte do horizonte mental no qual os discípulos formulavam suas perguntas. Isso é diferente de provar que Jesus ensinava reencarnação.

9. Justiniano e o século VI
Chegamos então ao século VI. O Império Romano do Oriente estava sob o governo de Justiniano I. Nesse período, existiam controvérsias teológicas envolvendo diferentes interpretações cristãs. Justiniano tomou posição contra determinadas ideias associadas a Orígenes. Entre os anátemas atribuídos à sua iniciativa aparece uma condenação extremamente explícita: “Quem disser ou pensar que as almas humanas preexistiram...” seja anátema.
O texto descreve as almas como tendo existido anteriormente como espíritos ou poderes santos e posteriormente tendo assumido corpos como consequência de sua queda. Esse documento é extraordinariamente importante para compreender o problema. Porque ele demonstra que: a preexistência das almas era uma questão teológica real e suficientemente importante para ser objeto de condenação.

10. Constantinopla — 553 d.C.
Em 553 ocorreu o II Concílio de Constantinopla, tradicionalmente contado como o quinto concílio ecumênico. Entre os textos associados à controvérsia estão quinze anátemas contra ensinamentos origenistas. O primeiro é particularmente importante: “Se alguém afirmar a preexistência das almas... seja anátema. ”
Os anátemas seguintes apresentam uma cosmologia na qual seres racionais originalmente espirituais teriam se afastado da contemplação divina, assumido corpos e posteriormente caminhariam para uma restauração.
Isso é muito próximo, em estrutura, de uma visão de: existência espiritual → queda → existência corporal → restauração. Mas ainda não devemos traduzir automaticamente essa estrutura como “reencarnação”.

11. O ponto histórico mais importante: o que exatamente o Concílio condenou?
Aqui está a grande correção histórica que precisa ser feita. É comum encontrar a frase: “Em 553, o Concílio de Constantinopla proibiu a reencarnação. ”
A documentação não permite afirmar isso dessa maneira simples. Os textos condenam explicitamente: a preexistência das almas, determinadas concepções cosmológicas origenistas e uma forma de restauração universal/apocatástase. O conjunto dos quinze anátemas apresenta um sistema teológico completo, incluindo a existência anterior dos seres racionais, sua queda, diferentes condições de corporeidade e uma restauração final. Além disso, existe uma questão historiográfica importante: os quinze anátemas são efetivamente atos do próprio Concílio de 553?
Há estudiosos que questionam essa atribuição direta. Uma reconstrução historiográfica apresentada em estudo especializado observa que edições modernas dos atos conciliares nem sempre atribuem os quinze anátemas diretamente ao concílio, havendo debate sobre sua origem e sua relação com as medidas tomadas antes da abertura do concílio. Isso não elimina sua importância histórica. Mas significa que devemos evitar uma narrativa excessivamente simples.

12. Então a Igreja “apagou a reencarnação da Bíblia”?
Não há evidência histórica de que isso tenha acontecido. Não existe documentação demonstrando que em 553 um concílio tenha retirado da Bíblia capítulos ou versículos que ensinassem explicitamente a reencarnação.
O que houve foi uma condenação teológica de determinadas doutrinas sobre a origem e o destino das almas. É uma diferença enorme. Portanto, historicamente, a formulação mais responsável seria: “No século VI, as autoridades cristãs condenaram a doutrina da preexistência das almas e determinadas formas de origenismo, contribuindo para consolidar uma antropologia cristã incompatível com a reencarnação. ” Essa frase é muito mais defensável historicamente.

13. Ressurreição versus reencarnação
A partir da consolidação da teologia cristã tradicional, tornou-se cada vez mais clara a diferença entre dois modelos.
Modelo reencarnacionista
Espírito → nascimento → vida corporal → morte → vida espiritual → novo nascimento → nova experiência → progresso.
Modelo cristão tradicional
Nascimento → vida terrena → morte → julgamento → ressurreição → vida futura. Essa diferença é fundamental. A ressurreição cristã não é simplesmente uma reencarnação. Na reencarnação, o Espírito retorna a uma nova existência corporal. Na ressurreição, a tradição cristã afirma a vitória de Deus sobre a morte e a restauração da pessoa para a vida futura.

14. Séculos passam — e a pergunta permanece
A ideia de múltiplas existências nunca desapareceu completamente do pensamento humano. Ela permaneceu presente em diferentes tradições filosóficas, religiosas e esotéricas. Entretanto, no cristianismo ocidental dominante, a doutrina da reencarnação não se tornou uma doutrina oficial. O cristianismo tradicional consolidou a ideia de uma existência terrena seguida da ressurreição e da vida futura. E então chegamos ao século XIX.

15. Allan Kardec e o renascimento moderno da reencarnação
Em 1857, Allan Kardec publicou O Livro dos Espíritos. A reencarnação passou a ocupar posição central na nova Doutrina Espírita. Aqui existe uma diferença fundamental em relação à filosofia antiga. Kardec não apresenta simplesmente a transmigração da alma para animais. A doutrina espírita estabelece a ideia de pluralidade das existências humanas, orientada pelo progresso espiritual.
Na questão 166 de O Livro dos Espíritos, aparece explicitamente a ideia de que a alma, não tendo alcançado sua perfeição numa existência, passa pela prova de uma nova existência corporal; a pergunta seguinte confirma que todos temos muitas existências. A questão 167 apresenta uma formulação particularmente importante: “Expiação, melhoria progressiva da humanidade. ”
E a questão 168 afirma que o Espírito avança a cada nova existência e deixa de necessitar da experiência corporal quando se encontra livre das impurezas. Aqui aparece uma concepção muito diferente da antiga metempsicose. A reencarnação espírita é apresentada como: educação da alma, progresso, responsabilidade, aprendizado e justiça divina.

16. Kardec e a questão da justiça divina
A grande pergunta de Kardec não é apenas: “A alma volta? ”. É também: “Por que Deus permitiria destinos humanos tão diferentes? ” Por que uma pessoa nasce em condições extremamente favoráveis e outra enfrenta desde o nascimento limitações profundas? A resposta espírita é que uma única existência não seria suficiente para compreender toda a trajetória do Espírito.
A pluralidade das existências forneceria, nessa perspectiva, uma estrutura para compreender: justiça divina; responsabilidade; consequências das escolhas; aprendizado; reparação; progresso espiritual; diversidade das experiências humanas.  Essa é uma interpretação religiosa e filosófica própria do Espiritismo. Não deve ser apresentada como uma conclusão científica demonstrada.

17. O ponto de encontro entre Orígenes e Kardec
Existe uma interessante aproximação conceitual.
Orígenes: alma/criatura racional → existência anterior → afastamento/queda → condição corporal → restauração.
Kardec: Espírito → encarnação → experiência → morte → continuidade espiritual → nova encarnação → progresso.
As duas estruturas possuem um elemento em comum: a existência humana não começaria e terminaria simplesmente com o corpo atual.
Mas existe também uma diferença fundamental. A doutrina de Kardec é explicitamente uma doutrina de pluralidade das existências corporais. A teologia de Orígenes não pode ser reduzida simplesmente a esse conceito.
Por isso, dizer que: “Kardec apenas recuperou exatamente a doutrina de Orígenes”, também seria uma simplificação.

18. O que é documento histórico e o que é interpretação?
Para estudar esse assunto com rigor, podemos separar as afirmações em três níveis.

DOCUMENTO HISTÓRICO
Temos documentação antiga sobre: Pitágoras e a metempsicose; Platão e a transmigração da alma; concepções judaicas sobre alma e pós-morte; Orígenes e a preexistência; as controvérsias origenistas; os textos de Justiniano; os anátemas associados à controvérsia de 553; O Livro dos Espíritos, publicado por Kardec em 1857.
Esses elementos pertencem ao campo histórico.

INTERPRETAÇÃO TEOLÓGICA
Já perguntas como: “Jesus ensinou reencarnação? ”, “João Batista era literalmente Elias reencarnado? ”, “A condenação de Orígenes foi uma tentativa de eliminar a reencarnação? ”, dependem de interpretação dos textos e das tradições.

CRENÇA RELIGIOSA
Por fim: “A reencarnação é uma lei divina? ”, é uma afirmação doutrinária. O Espiritismo responde afirmativamente. A teologia cristã tradicional responde negativamente. A história, por si só, não transforma uma dessas posições religiosas em fato científico.

19. Uma linha do tempo
Séculos VI–V a.C. Pitágoras e tradições órficas — imortalidade e transmigração da alma.
Séculos V–IV a.C. Platão — desenvolvimento filosófico da imortalidade e transmigração da alma.
Século I - Flávio Josefo descreve crenças dos essênios sobre a imortalidade da alma.
Século I - Cristianismo — textos sobre Elias e João Batista tornam-se posteriormente importantes no debate interpretativo. 185–253/254 - Orígenes — desenvolvimento da doutrina da preexistência e da restauração.
Século IV–V - Crescem as controvérsias sobre diferentes interpretações de Orígenes.
543 - Justiniano promove condenações de posições origenistas, incluindo a preexistência das almas.
553 - II Concílio de Constantinopla — contexto decisivo para a condenação das posições origenistas associadas à preexistência e à restauração.
Séculos posteriores - Consolidação da antropologia cristã baseada na vida única, morte, ressurreição e vida futura.
1857 - Allan Kardec publica O Livro dos Espíritos e apresenta a pluralidade das existências como princípio central da Doutrina Espírita.

20. Afinal, Constantinopla matou a ideia da reencarnação?
Historicamente, essa frase é forte demais. Podemos dizer algo mais profundo: Constantinopla não apagou da humanidade a ideia da reencarnação. A ideia já existia havia muitos séculos e continuaria existindo depois.
O que aconteceu foi diferente: a tradição cristã que se consolidou rejeitou a preexistência das almas e as concepções origenistas relacionadas à restauração universal, fortalecendo uma visão da existência humana baseada em uma vida terrena, morte, ressurreição e vida futura. Mais de mil anos depois, Kardec retomaria a questão sob outra perspectiva. E então a pergunta que atravessara a Antiguidade voltaria com força: Será que a existência humana é uma única passagem pela matéria ou apenas uma estação de uma viagem muito maior do Espírito?

Conclusão — entre a história e o mistério
Talvez a grande importância desse tema não esteja simplesmente em decidir quem “tinha razão”. Está em perceber que, há milhares de anos, a humanidade continua fazendo a mesma pergunta. Pitágoras falou da transmigração.
Platão refletiu sobre a alma e seus destinos. Orígenes investigou a existência anterior das criaturas racionais e sua restauração. As autoridades cristãs do século VI rejeitaram determinadas formas dessas ideias.
E, em 1857, Allan Kardec recolocou a pluralidade das existências no centro de uma nova construção filosófica e religiosa. A história, portanto, não mostra uma linha reta. Mostra uma pergunta que retorna. Talvez seja justamente por isso que a reencarnação tenha atravessado tantos séculos: não apenas como uma doutrina, mas como uma das mais antigas tentativas humanas de responder ao enigma da existência. Nascer, viver, morrer e continuar. Talvez a verdadeira pergunta nunca tenha sido apenas: “Quantas vezes o corpo nasce? ”. Mas: “Quantas vezes a consciência precisa retornar à escola da existência até aprender aquilo que ainda não conseguiu compreender? ”
Observação histórica importante: eu manteria, em qualquer publicação do artigo, a distinção entre “preexistência das almas” e “reencarnação”. Ela fortalece muito o texto, porque evita o argumento fácil de que “553 simplesmente proibiu a reencarnação”. Os próprios documentos de Justiniano e os anátemas associados a Constantinopla falam explicitamente de preexistência, queda e restauração; a atribuição formal dos quinze anátemas ao concílio de 553, porém, é objeto de discussão historiográfica.

Psicoterapia Reencarnacionista
A Psicoterapia Reencarnacionista é uma moderna Escola que traz uma proposta de expansão para as Instituições Oficiais de Saúde, no sentido de agregar a Reencarnação ao seu rol diagnóstico, terapêutico e psicoterapêutico, não como um tema religioso, espiritual e, sim, como referente à saúde física, emocional e mental.
Ela visa ajudar a todos nós a mudarmos a visão que a nossa persona (ego) tem da infância e da nossa vida, abrindo para um “antes” e um “depois” dessa vida. Ela quer nos fazer encontrar a visão que o nosso Eu Verdadeiro e nossos Amigos Espirituais têm a esse respeito. É a base operacional da Psicoterapia Reencarnacionista, o que chamamos de “versão-persona” x “Versão-Espírito”. Sem essa mudança de visão, de interpretação, que damos à nossa infância e aos fatos da vida, não é possível realizar-se um tratamento com a Psicoterapia Reencarnacionista. É como entendermos a nossa vida depois de desencarnados, lá no Mundo Espiritual, olhando o Telão e comentando com os Orientadores, e isso, ser feito, aqui, enquanto estamos encarnados, é Psicoterapia Reencarnacionista.
Essa nova psicoterapia trabalha em dois níveis:
Básico – ajudar a pessoa a encontrar sua Personalidade Congênita (um padrão comportamental repetitivo) através das Investigações do Inconsciente, nas várias encarnações que acessa durante o Tratamento e, com isso, encontrar sua proposta de Reforma Íntima. Ou seja, quais características inferiores do seu ego vem tentando melhorar, desde as infantis, as adolescentes, as adultas, até alcançar o grau final, o ego ancião. E poder, então, realmente aproveitar essa atual encarnação.
Avançado – colaborar para que ocorra a reintegração do nosso ego ao Eu divino, a nossa verdadeira Essência. Na grande maioria das vezes, o Tratamento inicia pelo nível básico e se a pessoa tem vontade, persistência e um verdadeiro desejo de evoluir, passa, gradativamente, para o nível avançado.
A Psicoterapia Reencarnacionista é uma criação de um Grupo de Seres do Plano Astral e começou a ser transmitida para Mauro Kwitko, médico homeopata, a partir de 1996, em Porto Alegre/RS, Brasil. Ela nasceu com a finalidade de trazer às Instituições Oficiais de Saúde uma possibilidade de expansão nunca antes imaginada. A Reencarnação e a atuação dos Espíritos obsessores poderá ser agregada aos conceitos tradicionais, criando, assim, uma nova maneira de encarar os conflitos de todos nós e as doenças físicas, psíquicas e mentais.

Por que a Psicologia e a Psiquiatria não lidam com a Reencarnação?

A Psicologia atual, herdeira de uma concepção religiosa não-reencarnacionista, enxerga nossa vida apenas desde a infância e, por isso, limita seu campo de ação a uma fração mínima da nossa existência. Trabalha com um conceito limitado que é a Formação da Personalidade pois afirma que não existíamos antes e, então, considera que nossas características de personalidade e nossos sentimentos inferiores originam-se lá no “início da vida”, pela conjunção de fatores genéticos, hereditários e ambientais. Tudo, obrigatoriamente originou-se lá, pois nada havia antes, mas e as nossas encarnações passadas? Na nossa vida encarnada anterior não tínhamos uma personalidade? Evidentemente que sim, então não é razoável e de bom senso pensar que somos a continuação daquele que fomos nessa vida anterior à atual? Isso derruba o conceito de Formação de Personalidade e cria um outro conceito, revolucionário, evolucionista, clarificador, o de Personalidade Congênita, um dos pilares básicos da Psicoterapia Reencarnacionista. E nossos familiares, nosso pai, nossa mãe, nossos irmãos e demais parentes? Dentro dos princípios reencarnacionistas sabemos que somos Espíritos ligados por cordões energéticos de afinidade e de divergência. Esses cordões é que regem a nossa aproximação e isso explica as simpatias e as antipatias entre familiares, até mesmo ódios e aversões. E por que nos aproximamos novamente? No caso da afinidade, para continuarmos juntos em um projeto de amizade, de um trabalho em conjunto; no caso da divergência, para fazermos as pazes, nos harmonizarmos, nos amarmos. E essa última questão é um dos principais assuntos nas consultas de Psicoterapia Reencarnacionista, quando tratamos conflitos entre pais e filhos, entre irmãos e outras pessoas que vamos encontrando durante a vida.
Agregando a Reencarnação à Psicologia, cria-se uma nova Psicologia, baseada na nossa vida eterna, na nossa busca de evolução, de purificação. Não somos mais pessoas, somos Espíritos encarnados, não somos homens e mulheres, somos Espíritos em corpos masculinos e femininos, não somos brancos ou negros, somos Espíritos em “cascas” de cor diferente, não somos judeus, árabes, brasileiros, argentinos, americanos, iraquianos, somos Espíritos que encarnaram, dessa vez, nesses países. A Reencarnação, além da capacidade de expandir a Psicologia para o infinito, sob um enfoque social tem o potencial de eliminar o racismo, os preconceitos, a desigualdade e a violência da face da Terra. Com a visão clarificada de que estamos em um local de passagem, com a finalidade de evoluirmos consciencialmente, as questões da vida terrena podem ser classificadas, didaticamente, em dois grupos: importantes e sem importância, com graduações entre elas. Devemos ter a capacidade de perceber o que pode nos auxiliar em nossa Missão Pessoal e o que pode nos distrair dela. Mas, para isso, é de fundamental importância que cada um de nós saiba para o que reencarnou dessa vez. E isso não é tão difícil de perceber, basta enxergarmos as imperfeições e dificuldades do nosso personagem atual, os nossos conflitos com outras pessoas, as nossas tendências negativas, enfim, tudo o que nos traz desconforto e nos tira a paz.

Para o que reencarnamos?
Algumas pessoas reencarnaram para lidar com questões morais, como tendências a roubar, enganar, mentir, trapacear, atributos de um ego autônomo, míope, dissociado do seu Mestre Interior; outros reencarnaram para lidar com características pessoais que afetam mais a si mesmos, como a timidez, a mágoa, o medo, a introversão; algumas pessoas aqui estão para libertar-se da raiva, que faz mal a si e a outros. Cada um de nós está aqui, no Astral Inferior, para encontrar as suas inferioridades, que traz consigo há centenas ou milhares de anos, tendo passado por muitas encarnações em que sua atuação no sentido de evolução, de libertação, tem sido aquém do que poderia ter sido. Uma das finalidades da Psicoterapia Reencarnacionista é nos ajudar a melhor aproveitarmos as nossas encarnações, no sentido da busca da lembrança de que somos Puros e Perfeitos, da nossa volta consciencial para o Todo.
O psicoterapeuta reencarnacionista deve praticar em si mesmo os princípios evolucionistas, purificadores, para ter uma credibilidade interior que lhe capacite ser um conselheiro espiritual das pessoas que vêm em busca dessa Psicoterapia da Alma. Deve eliminar qualquer vício moral, deve libertar-se da raiva e da mágoa, deve ter um cuidado com o orgulho e a vaidade, deve desenvolver uma maneira de ser agradável, simpática, equilibrada, leve, despojada, e não deve, em hipótese alguma, beber, fumar ou usar drogas! A Psicoterapia Reencarnacionista é uma terapia de cunho espiritual, em que os Seres Superiores podem estar presentes, dependendo do modo de vida do psicoterapeuta. E esse deve, então, procurar ter o merecimento de receber essa ajuda superior que, entre outras questões, lhe possibilite permanecer imune aos ataques dos seres espirituais de pouca consciência, interessados em prejudicar as pessoas em tratamento e a nós. Por isso, é de fundamental importância uma atitude reta, centrada, numa busca de uma sintonia com o Mundo Superior, colocando-se no seu lugar de ser humano, procurando obedecer às Ordens superiores. Ao nosso lado colocam-se nossos Irmãos mais evoluídos, nos orientando, nos intuindo, nos auxiliando no trato com as pessoas que nos procuram e no âmbito das interferências inferiores espirituais. Não estamos sozinhos na nossa vida cotidiana e no nosso consultório, existem presenças com intenções várias.
Devemos procurar manter nossa frequência elevada, sintonizando com as presenças da Luz e nos imunizando das presenças das Trevas. O cuidado com nossos pensamentos, sentimentos e ações é de fundamental importância para o sucesso da nossa vida encarnada, individualmente e como psicoterapeuta reencarnacionista. Estamos lidando com questões espirituais, muitas vezes interferindo com seres poderosos cuja intenção é prejudicar a quem nos procura e a nós mesmos. Por isso, todo cuidado é pouco! A oração diária, a elevação dos nossos pensamentos aos Seres da Luz, a atitude humilde de colocar-se no lugar de serviçal dos nossos irmãos superiores, a postura de não enfrentamento aos seres de pouca Luz que nos acossam, entendendo-os, compreendendo sua atitude, motivada em traumas seus de muito tempo atrás, enxergando-os também como irmãos, como filhos de Deus, como companheiros de jornada, até porque não sabemos se em outras épocas não estávamos ao seu lado... Devemos nos colocar como representantes de Deus na Terra, como aliados do Mundo Superior nessa missão de purificação do nosso planeta, de clarificação, e procurar, a todo o momento, principalmente em situações conflituosas, atuar através do nosso Eu Superior, com Luz na nossa Consciência, Amor em nosso coração e Paz em nossos sentimentos.
A Psiquiatria, não lidando com a realidade espiritual, atribui a doença mental ao cérebro, como se os pensamentos aí residissem, não sabendo ainda que o cérebro é apenas o codificador, o intermediário entre o corpo físico e a Mente. As doenças do pensamento são, em sua maioria, originárias das encarnações passadas, de ações praticadas e ações sofridas, num desequilíbrio entre o ego e o Espírito, que faz com que os doentes tenham enormes dificuldades de sintonizar com os níveis superiores espirituais e, pelo contrário, sintonizem com os níveis inferiores, escuros, onde vivem nossos irmãos que não enxergam a Luz, e quando a enxergam consideram-na desagradável por poder revelar-lhes a Verdade. Os doentes mentais, com traumas terríveis em seu Inconsciente e sofrendo com a presença de seres inferiores espirituais, vivem em um inferno interior, com ideias e atitudes incompreensíveis para a nossa Psiquiatria oficial, incompetente para entender essas questões. Daí a rapidez dos rótulos psiquiátricos e da intervenção medicamentosa psicotrópica. Os rótulos rotulam, e dão ao doente e a seus familiares a convicção de que ele é um doente da mente, quando, mais frequentemente, é um doente do Espírito. A causa da doença, materialmente atribuída ao cérebro está, frequentemente escondida, nos recônditos do Inconsciente e ao seu lado, no mundo invisível.

A Psiquiatria do futuro
É urgente a expansão da Psiquiatria rumo à Reencarnação, ao interior do Inconsciente e ao desbravamento da vida espiritual. O psicotrópico tem uma atuação benéfica nas urgências e nas emergências, quando frequentemente são imprescindíveis, e podem, ou devem ser utilizadas por um tempo limitado, mas nunca por um tempo longo ou, pior, como a própria terapia, pois a longo tempo trazem as consequências terríveis dos seus efeitos colaterais, muitas vezes piores do que os sintomas iniciais, cronificando e perpetuando a doença. A medicação psicotrópica não pode ser o tratamento e, sim, um auxiliar por algum tempo enquanto busca-se a origem, a explicação, a causa dos sintomas. A Psicoterapia Reencarnacionista é uma aliada das Religiões reencarnacionistas, no sentido de recomendar a investigação e o tratamento espiritual nos casos das doenças mentais. Toda pessoa que vem à consulta informando ver seres e/ou ouvir vozes, recomendamos uma consulta em Centro Espírita ou Espiritualista. Não referendamos imediatamente os diagnósticos psiquiátricos, principalmente os de Esquizofrenia e Paranoia, por ver nesses pacientes a possibilidade de veracidade no que pensam, vêm e ouvem. Faz parte da prática de consultório do psicoterapeuta reencarnacionista encaminhar as pessoas aos Centros especializados nesse tipo de atendimento quando suspeitar da presença de Espíritos obsessores lhe perturbando.
Uma Nova Era vislumbra-se para a humanidade, a consciência das pessoas gradativamente abre-se para a realidade espiritual, e é necessário, então, que as grandes Instituições de Cura Mental e Emocional, como a Psicologia e a Psiquiatria libertem-se de ideias religiosas que lhes prendem a essa vida apenas, que limitam sua visão e seu campo de atuação. A Psicoterapia Reencarnacionista vem alinhar-se à expansão dos conceitos psicológicos e psiquiátricos, buscando entender melhor as mazelas humanas, o sofrimento de milhões e milhões de doentes mentais, confinados em seu interior, amordaçados por medicamentos psicotrópicos que não têm a capacidade de realmente curá-los, por não poder penetrar em seu Inconsciente, onde reside a causa da dor, e tendo a capacidade de diminuir a percepção dos seres invisíveis que acossam esses doentes, mas não de afastá-los. A evolução da humanidade, no sentido da cura de sua doença primordial, que é o esquecimento de sua natureza espiritual, deve ser acompanhada pela evolução das Instituições que lidam com a sua saúde. A visão do homem como um ser físico, emocional, mental e espiritual deve ser utilizada na prática dessa Instituição e não apenas como um discurso teórico. Muitos médicos psiquiatras e psicólogos em vários países já trabalham com essas realidades espirituais como um assunto científico, aqui no Brasil, esses assuntos ainda são considerados religiosos e os profissionais que as praticam são ameaçados e punidos pelos Conselhos de Medicina e de Psicologia. Mas a evolução é inexorável e em alguns anos seremos convidados pelas Universidades para ensinarmos a Psicoterapia Reencarnacionista, a Investigação do Inconsciente e outras Medicinas Energéticas e Espirituais.

Regredir para progredir.

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