Há momentos, em que o maior desafio, não é enfrentar o outro, mas deixar de abandonar a si mesmo. Existem pessoas, que passam grande parte da vida, tentando provar que são boas. Provam que amam e são leais, são verdadeiras e que fizeram o melhor que podiam. Provam que suas intenções eram boas, e de tanto tentar provar quem são, acabam se esquecendo de simplesmente existir. A alma, começa a se cansar, quando percebe que, por mais que explique, algumas pessoas continuarão interpretando, suas atitudes a partir dos próprios medos, inseguranças, feridas e experiências anteriores. Então, surge a silenciosa reflexão, de até quando, precisarei me explicar para ser compreendido. Talvez a resposta esteja, em compreender uma das mais difíceis lições da maturidade emocional. Nem tudo aquilo, que o outro sente, nasceu em nós. O peso de carregar, aquilo que não nos pertence.
Conhecemos pessoas, que absorvem os sentimentos dos outros, como se fossem responsabilidades pessoais. Se alguém acusa, começam a rever cada palavra, cada atitude, cada gesto. Pouco a pouco, a pessoa deixa de viver espontaneamente e passa a viver em estado permanente de vigilância. É como caminhar pela própria casa emocional. Qualquer atitude, pode ser interpretada e qualquer palavra, pode ser distorcida. O silêncio, pode transformar-se em ameaça e assim, nasce o esgotamento. Não necessariamente, porque a pessoa deixou de amar, mas porque amar, passou a significar defender-se o tempo inteiro. Quando o passado encontra o presente, algumas experiências atuais, despertam dores muito antigas. Uma crítica de hoje, pode tocar uma ferida de ontem. Uma acusação, pode despertar a lembrança de quando precisávamos nos defender. Um afastamento, pode trazer novamente a sensação de abandono. Um ciúme, pode reabrir antigas experiências de disputa por afeto. Nem sempre, percebemos isso conscientemente. A situação presente acontece, mas a emoção parece muito maior do que o acontecimento poderia explicar. É como se a vida dissesse, que há algo aqui que você ainda precisa compreender. Significa que, talvez exista, uma oportunidade de olhar, para aquilo que um dia, precisou ser suportado e que agora pede elaboração, consciência e transformação.
Amados, queridos e fiéis leitores. Há pessoas que, dentro das relações, acabam ocupando um papel silencioso que é o de absorver tudo. E espiritualidade, não significa suportar, indefinidamente, tudo aquilo que destrói a própria paz. Existe uma diferença profunda entre ser paciente e abandonar a si mesmo. O amor, não deveria exigir, o desaparecimento de ninguém. Uma relação madura, não deveria exigir, que uma pessoa, deixe de amar a família terrena, para provar que ama o companheiro. Não deveria exigir o abandono dos próprios sonhos, para demonstrar fidelidade. Não, deveria exigir o afastamento de pessoas importantes, para produzir segurança. O amor verdadeiro, não precisa diminuir o mundo do outro para sentir-se seguro. O amor saudável, amplia a vida. Quando cuidar dos outros, começa a custar a própria vida, um dia o corpo, a mente e as emoções respondem. O cansaço emocional, não deve ser romantizado. A solitude, não é abandono. A solitude, é um espaço de reencontro. Um lugar onde a pessoa, volta a ouvir a própria consciência, depois de muito tempo ouvindo, as vozes dos outros. Às vezes, ficar um pouco em silêncio, é necessário, para descobrir, que a nossa própria voz ainda está lá. Esta é a linguagem da alma. E com a estimada, querida e amada Alma gêmea, a nossa eterna gratidão. Bom dia e boas energias. Eu acredito em você.