Ainda pela madrugada, nossos benfeitores da Colônia Manto da Luz, ali estavam. Com eles, um Senhor que trazia em suas mãos, muitas fotos de sua infância. Ele olhou fixamente em meus olhos e disse. Aqui trago minha história e são mais do que lembranças, são as sementes das digitais de nossa identidade. Nossas digitais não se apagam das almas que tocamos. Cada imagem, guarda o instante em que, a vida ainda estava sendo desenhada com traços simples, mas profundos. Um sorriso sem cálculo, um olhar curioso, mãos pequenas, segurando o mundo pela primeira vez. Ao revisitarmos essas fotos, não vemos apenas quem fomos, mas o que enxergamos, pelo início de tudo o que somos. O legado nasce ali. Não apenas nos objetos, nem nos feitos grandiosos, mas nas marcas invisíveis deixadas na mente e no coração, e é na alma que está o jeito de amar, que aprendemos pelas palavras que nos acolheram, e os silêncios que nos ensinaram a sentir. Fotos de infância, são como os espelhos do começo e o legado, é o eco que atravessa o Tempo. É quando alguém, no futuro, carrega um gesto seu sem saber de onde veio. É quando um valor vivido em silêncio floresce em outra vida. No fim, o que permanece não é a imagem em si, mas a essência que ela revela. O relógio e o Tempo, seguem adiante.
E continuou a dialogar. Há, um Tempo guardado em papel, e em cada imagem está o nosso visual lembrado e recordado, onde o mundo cabia nas mãos pequenas, e o infinito era apenas um quintal de descobertas. As fotografias não são apenas retratos e sim são portais. Elas respiram memórias, que o Tempo não conseguiu silenciar. Ali está o início entre o primeiro riso sem defesa, o choro que ainda não sabia se esconder, pela alma em estado puro, antes de aprender os nomes das dores. Em cada imagem antiga, vive uma verdade intacta, onde acreditávamos que fomos inteiros, antes de aprender a nos dividir. E o legado, o legado não se vê na moldura, pois, ele caminha invisível, entre as gerações distraídas, e escorre nos gestos repetidos sem perceber, mora no tom de voz, no jeito de amar, no silêncio herdado de palavras não ditas para quem nunca soube dizer ou não sabia se expressar frente a inocência feliz e serena. Em lágrimas agradeceu e seguiu volitando com os Mentores.
Amados, queridos e fiéis leitores. Fiquei a refletir. Todo adulto em conflito carrega uma criança ferida. E é, educando as crianças, que o mundo não precisará mais, punir os adultos. Somos todos a continuação de olhares que um dia, também foram pequenos, de histórias que começaram, antes de termos voz para contá-las. E quando seguramos uma foto antiga, não é o passado que tocamos, é a raiz. Porque o que fomos, ainda vive no que somos, e o que somos, já começou a existir em alguém. Assim, o Tempo não passa, ele se transforma em presença. O presente da presença. E cada infância guardada, é uma semente eterna, plantada no invisível da alma, esperando florescer no coração de outro amanhã. Sempre há a oportunidade e a possibilidade de reconciliar consigo mesmo, e realizar a sua reforma íntima e sem martírios e em cada amanhecer, faça uma nova reflexão, para ajustar o seu relógio. Defina-se menos, procure mais. Pelas fotos da infância está o nosso legado. E com a estimada, querida e amada Alma gêmea, a nossa eterna gratidão. Bom dia e boas energias. Eu acredito em você.