Historicamente, o sistema que a humanidade vive, sela o destino das crianças, sobre suas vivências, suas vinculações ou rupturas com a realidade que as cercam. A diferença do filho biológico para o filho adotivo, está no preconceito. A adoção é um gesto silencioso que transforma destinos, une corações e revela que família é, acima de tudo, escolha e entrega. Na psicanálise, Melaine Klein trabalhou a família através das vivências edípicas dos primeiros meses de vida, focalizando as relações do sujeito com a mãe, como objeto parcial, demonstrando que a função paterna presente, desde os primeiros meses, na relação mãe-filho, ativa o Édipo da criança. Já Jacques Lacan, a família humana desempenha um papel primordial na transmissão da cultura, prevalecendo na primeira educação, reconhecendo que esta é responsável pela promoção do processo de humanização do indivíduo. Na constelação familiar podemos encontrar a conexão filosófica com os seus princípios de busca por uma vida mais fraterna, amorosa e solidária e por entender a família como base para o crescimento espiritual e o desenvolvimento moral do indivíduo.
Na Obra Vida e Sexo ditada pelo Espírito Emmanuel e psicografada por Francisco Cândico Xavier na familia - “Há, pois, duas espécies de família: as famílias pelos laços espirituais e as famílias pelos laços corporais. Duráveis, as primeiras se fortalecem pela purificação e se perpetuam no mundo dos Espíritos, através das várias migrações da alma; as segundas, frágeis como a matéria, se extinguem com o tempo e, muitas vezes, se dissolvem moralmente, já na existência atual”. Já o benfeitor André Luiz nos lembra de que, a família é a “união de almas em processo de evolução, que é ajuste e aperfeiçoamento. Não temos a família que gostaríamos, não temos a família que queremos, temos a família de que necessitamos”.
O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo XIV, item 8 diz que “a família é uma instituição divina. Sob a supervisão de Espíritos moralmente elevados, formam-se na espiritualidade os agrupamentos familiares”. Allan Kardec elucida: “Não são os da consanguinidade os verdadeiros laços da família e sim os da simpatia e da comunhão de ideias”.
No olhar espírita, não há acaso: tanto os filhos biológicos quanto os adotivos fazem parte de um planejamento reencarnatório, em que almas se reencontram para aprender, amar e reparar juntos. O vínculo de sangue pode até unir corpos, mas é o vínculo espiritual que une destinos. Allan Kardec ainda nos ensina que - “os laços de família não se rompem com a desencarnação, eles se fortalecem pelo afeto e pelas provas em comum”. Como ensina Joanna de Ângelis – “o amor é um tesouro que, quanto mais se divide, mais se multiplica, e se enriquece à medida que se reparte”. Jesus modificou os conceitos então vigentes, iniciando a Era do Espírito Imortal, que melhor expressa todas as conquistas do pensamento. Na questão 775 do "Livro dos Espíritos" pergunta qual seria o resultado para a sociedade do relaxamento dos laços de família? - A resposta dada pelos Espíritos é que - “haveria uma recrudescência do egoísmo" - Isso porque a família é a célula-base da sociedade e, ao se enfraquecerem seus laços, o egoísmo se fortalece, prejudicando o progresso moral da humanidade, que é um dos propósitos da vida humana.
Ainda na gestação e quando criança, biologicamente ela possui a capacidade de perceber o que ocorre consigo e que ficará registrado indelevelmente em seu inconsciente, com força bastante para interferir de maneira marcante em seu destino e revela a coerência das suas escolhas futuras e o resultado das opções de vida. O livre arbítrio, é inerente a todos nós, enquanto seres humanos. Por trás de cada abraço adotivo, existe uma história de coragem, esperança e amor incondicional. Todo Ser humano ao nascer, é dado à luz, e passa a ser filho adotivo da constelação das estrelas. A Psicoterapia Reencarnacionista, define que a família é vista como um agrupamento de espíritos unidos por laços kármicos, não apenas por acaso ou afetividade. As relações familiares e os eventos que ocorrem na família são interpretados como reflexos de atos passados e parte do processo evolutivo individual e coletivo, visando a reforma íntima e o crescimento espiritual. Cada reencarnação é uma oportunidade para o Espírito, e ela acontece no seio familiar, buscando reajuste caso em caso de desarmonia com as Leis de Deus.
Mantenha na mente e no coração o amor, o perdão, a paciência, o companheirismo e a compaixão. Nossa família é abençoada escola que o Pai Celestial nos concede, para que juntos através de nossas reencarnações sucessivas, possamos nos ajudar uns aos outros a reparar falhas do passado, trabalhando com coragem, confiança e fé para alcançarmos a tão desejada evolução espiritual. É importante lembrar também que nem todas as mulheres têm a missão de serem mães biológicas nesta vida. A maternidade é uma das muitas experiências, seja ela biológica ou adotiva, que a reencarnação pode oferecer. Cada jornada é única, e cada espírito traz compromissos diferentes a cumprir. Não há erros ou acertos, há escolhas.
A Doutrina Espírita concede a todos a compreensão da Obra de Deus, a compreensão de sua destinação e do que precisamos para estar em harmonia com as Leis de Deus e assim, compreender a importância da família e como agir para manter a harmonia familiar. Enfim, as relações familiares e os reflexos no processo evolutivo estão em nosso pensar-sentir-agir. O primeiro passo é vencer a si mesmo. Que assim seja.